SOBRE NÓS
Nos vales fundos, onde o tempo abranda,
E o granito ergue a voz do seu silêncio,
Há mãos que lavram, com antigo incenso,
A dura fé que a própria terra manda…
Le miel
Né dans le silence des montagnes, il porte la douceur intacte de la terre.
“No alto ermo, onde a urze se levanta,
E o sol repousa em fios de doçura,
Zumbem segredos na aragem pura
Que a serra guarda e ao silêncio canta.
Ouro lento, feito de ternura,
Mel que é memória viva da procura
Da flor humilde que ninguém suplanta.
Traz nos lábios o verão guardado,
Nos favos prende o tempo e a paisagem,
É o sol em líquido doce e dourado.
Sabor da terra em íntima linguagem,
Como um gesto antigo e consagrado
Das gentes firmes da montanha em viagem.”
L’huile d’olive
Née de la patience de l’olivier, l’huile d’olive est la lumière verte de notre terre, pure et éternelle.
“No tronco antigo, torto e resistente,
A oliveira enfrenta o tempo e o vento,
Guardando em si, num calmo sofrimento,
A força rude de um viver paciente.
Do fruto nasce, lento e reluzente,
Um ouro espesso, puro pensamento,
Que unge o pão com íntimo alento
E aquece a mesa humilde e permanente.
É luz contida em verde delicado,
É campo inteiro em gota transformado,
É gesto antigo, simples e profundo.
Com a mão que o colhe e o reparte,
O azeite é alma viva desta parte,
Um brilho eterno em coração fecundo.”
Le vin
Dans les coteaux du Douro baignés de soleil, naît un vin profond, intense et vivant, gardien silencieux de la terre et de l’âme de Trás-os-Montes.
“Nas encostas onde o Douro inclina,
Em socalcos talhados pela mão,
Corre a vinha, sangue da nação,
Bebendo o sol que a terra lhe destina.
Ali cada raiz funda domina
O xisto duro em íntima paixão,
E o tempo amadurece no verão
O vinho escuro que a alma ilumina.
Nas pipas dorme um fogo antigo e denso,
Memória viva em rubro pensamento,
Que ao ser bebido desperta o que é imenso.
É canto, é dor, é riso em movimento,
O Douro vive em cada copo intenso,
Vertendo em vinho a vida e o sentimento.”
Princípios.
Quando escolhemos um produto, testamos tudo. Recusamos quase tudo. O que fica é o que merecia estar na sua mesa.
Sabemos quem o fez, como e onde. Nenhum anonimato.
Sabemos quem o fez, como e onde. Nenhum anonimato.
Nos vales fundos, onde o tempo abranda,
E o granito ergue a voz do seu silêncio,
Há mãos que lavram, com antigo incenso,
A dura fé que a própria terra manda.
Ali a vida é chama que não abranda
Ao gosto vão do efémero ou de lenço,
Mas firme, como rústico consenso,
Entre o homem e a raiz que o demanda.
O mel é luz colhida nas alturas,
Doce segredo em favos de ouro quente,
O azeite unge as noites mais escuras,
E o vinho arde na alma de quem sente.
São dons nascidos de vontades puras,
Retratos vivos de um povo resistente.
